October 07, 2006

CAMÕES - "O Homem da máquina do tempo"

“O Homem da Máquina do Tempo”

A melhor definição de Eduardo Camões é ele mesmo quem dá:
"sou um apaixonado pelo Rio de Janeiro".
Aos 50 anos o carioca conhecido no meio por Camões tem como marca registrada seus trabalhos sobre o Rio antigo. Filho de pintora, desde criança aventurou-se entr
e as tintas e pincéis.
"Quando era pequeno, minha mãe não tinha com quem me deixar. Então me levava para o Instituto de Belas Artes (Praia Vermelha) aonde ela fazia curso de desenho e pintura. Enquanto tinha as
aulas, ficava ao seu lado pintando também . Só não me deixava assistir as aulas de modelo vivo. Eu ia pro lado de fora e ficava desenhando o que tinha ao redor, que era a praia e o mar."
Aos 12 anos, a família mudou-se para Brasília e Camões ficou a 1.000 km do Rio de Janeiro.
Em 73 foi fazer intercâmbio no sul da Califórnia Chegou então a época de prestar vestibular. "Decidi por Desenho Industrial porque era um curso que não existia em Brasília. Se tivesse escolhido Belas Artes, meu pai me mandaria ir estudar na UNB".
Alcançado o objetivo de voltar para a cidade natal, Camões começa pintando a Ipanema da década de 70 em quadros hiper realistas.
"A barraca de cachorro quente da Geneal, as meninas jogando frescobol, o vendedor de mate. Era o Rio do reencontro. Queria retratar o espiríto carioca de ser. Fiz is
so durante 1 ano e meio".
Foi quando concluiu que estava sendo um simples repórter do que acontecia na cidade.
"Precisava entender o porquê de termos nos tornados o que somos".
Passo
u então a estudar o desenvolvimento da cidade e da alma carioca. Contactou colecionadores de livros antigos e postais sobre o Rio antigo. Buscava retratar uma cidade que ninguém vivo chegara a conhecer.
"Achei fascinante a idéia de transformar fotografias antigas em instantâneos coloridos, como se eu tivesse entrado numa máquina do tempo, retornado àquela época e tirado fotografias coloridas. Aproveitando a minha técnica adquirida com o hiperrealismo, poderia fazer uma pintura quase que fotográfica".
Depois, começou a retratar lugares pouco fotografados na época, como a zona sul, que era um arrebalde da cidade. Partiu então a estudar os desenhos de artistas botânicos viajantes que aqui estiveram entre os séculos XVII e XIX.
"As primeiras fotos foram tiradas a partir de 1860".
Atual
mente, se utiliza de diversos pontos de referência, como textos descritivos antigos, fotografias aéreas tiradas de helicópteros, além dos desenhos, podendo assim reconstituir a topografia da época.
"Não cabem comentários que às vezes eu escuto do tipo: 'Camões colore fotografias do século passado'. Não é bem assim."
Além do Rio antigo, Camões já fez trabalhos sobre Recife, Porto Alegre, o Paraná e uma série de com cidades americanas. Por falar nos Estados Unidos, este mercado tem sido uma de suas metas. Há três anos divulga e difunde suas obras por lá. Passou um ano e meio atrelado a uma rede de galerias da costa leste americana, que estava só interessada em vender os seus quadros. Com isso, resolveu montar uma seleção de galerias escolhidas a seu critério, que atualmente são 12.
Por aqui, a grande popularização da sua obra deu-se pelo livro "O Rio antigo por Camões", que está na 9ª edição. Foi escrito em 93 e lançado em 94.
Para quem acha que a vida de pintor é mole, Camões acorda todos os dias às seis da manhã, pedala 30 km por dia pelas praias e às dez já está sentado em frente ao cavalete. Trabalha de domingo a domingo 14 horas por dia.
"Trabalho tanto porque fiz do meu hobby a minha profissão. Não sou rico, nunca recebi herança e tudo o que tenho comprei com a minha pintura."
Sobre sua técnica, diz que é autodidata e só trabalha com tinta acrílica, porque não tem cheiro, é mais limpa e durável que a óleo.

"Passo dias inteiros com fantasias na cabeça e uma tela em branco na frente"

(excertos do texto de de Gustavo Franck para matéria veiculada na edição nº 22 da revista Vizoo. leia na íntegra no site - clique aqui)

Os céus de Camões carregam a nostalgia de um entardecer com a esperança de uma alvorada.
Confira a poesia de sua obra visitando o site: http://www.camoes.art.br

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